O que é melhor? Sanduíche de quimera roxa, churrasco de quimera púrpura ou doce de quimera fúcsia? Enquanto a gente não descobre, falamos de literatura e design editorial mesmo. As piores capas do mundo e as melhores. Resenhas de livros e recomendações. E um mimimi ou outro aqui e alí.

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Review Completo - Annabel e Sarah

Título: Annabel e Sarah
Autor: Jim Anotsu
Editora: Draco
Páginas: 154

Annabel e Sarah é o primeiro romance de Jim Anotsu. Mas se você não souber desse fato, não vai percebê-lo ao ler o livro. A escrita de Jim Anotsu está muito longe de ser amadora. 

O livro conta a história de duas irmãs gêmeas, de personalidade completamente opostas. Annabel tem atitude, uma língua afiadíssima e um gosto musical impecável. Sarah é a típica patricinha, delicada e levada pelas tendências. E as duas se dão muito mal.

Até que Sarah é sugada para dentro de uma televisão, e Annabel a segue para salvá-la.

Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça, quando eu estava lendo as primeiras páginas de Annabel e Sarah, foi: Porque diabos Jim Anotsu se esconde?

Sem brincadeira. Fiquei encantadíssima com o livro. Várias foram as vezes em que eu  me peguei sorrindo a toa, capturada pela magia por trás das palavras, enquanto os absurdos do mundo onde Annabel e Sarah foram levadas eram narrados.

Aqui sou obrigada a citar Dean Chinaski, a raposa que ajuda Annabel, e Beatrice, que de todas as possibilidades, é minha personagem favorita. Ela é a imagem viva do nonsense para onde Sarah foi levada.

Outra coisa que simplesmente amei no livro são as referências à cultura pop. Garota anacronismo, molho especial, relógios derretidos. Referências a música, arte e a sociedade de consumo.

Apesar da tensão existente, impossível não perceber a doçura. Se eu precisasse de uma palavra para descrever a narrativa de Jim Anotsu, seria essa: Doce.

Jim é geralmente comparado à Lewis Carroll, mas a mim ele lembra Diana Wynne Jones. Leve e delicioso de ler.

Uma escrita suave, porém profunda, que prende. Você consegue imaginar tudo o que acontece, por mais louco que possa parecer. Prova do que estou dizendo, é que li o livro em seis horas. E ainda fiquei com o gostinho na boca, querendo mais um pouco.

Aspectos designísticos 

O livro é muito bonito. Ele não tem firulas, nem excessos nem nada realmente wow. Mas é lindo. Um ótimo de exemplo de design aplicado à literatura. Algo que Richard Hendel chama de design invisível, mas que faz toda a diferença.

Na capa temos Annabel, sentada sobre um baú, usando All Star e com dois quadros ao fundo, já fazendo referência a cultura pop. Na contracapa, Sarah, com a televisão que a suga para Allegria.

As texturas escuras em contraste com os brancos e rosas da capa já conceituam o que veremos no livro. Apesar de maravilhosos, os mundos atrás da televisão são perturbadores.

O miolo do livro possui algumas páginas totalmente pretas, com as letras brancas, novamente remetendo à dualidade.

O papel pólen ajuda na leitura. Evita que ela seja cansativa e sua opacidade maior faz com que as páginas em preto não atrapalhem.

Uma das coisas que não gostei foi do falso versalete. O versalete é quando as letras da fonte estão em maiúsculas, só que no tamanho das minúsculas. Em Annabel e Sarah, os capítulos começam com um versalete que dão a impressão de estar em “Caps Lock”, por não estarem no mesmo peso e proporção das minúsculas. Tive a impressão de grito em algumas passagens, segundo a linguagem internética.

O Acabamento do livro é ótimo, principalmente se considerarmos que a tiragem inicial foi pequena, e a maioria das editoras com tiragens iniciais pequenas não tem tanto cuidado assim. A qualidade é boa. Porém, não sei se tive azar, ou se aconteceu durante a viagem em que levei o livro, a película deu uma descascada nas bordas, o que é um desgaste rápido considerando que estou com o livro há menos de um mês.

De forma geral, o livro é ótimo. Recomendo. Sua leitura agradável agradará tanto aos amantes de livros quando os novos leitores.

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